Alveolite – Seca ou Purulenta – sintomas, tratamento, cura
Outubro 21, 2026
O que é alveolite?
A alveolite dentária ocorre quando se verifica uma infeção do alvéolo, ou seja, do interior do osso onde o dente se encontrava alojado. As alveolites manifestam-se após a extração dentária, caso haja infeção posterior, provocando normalmente dores muito fortes que tendem a iniciar 2 a 3 dias após a exodontia (extração do dente), podendo-se prolongar até aos 10 ou 15 dias seguintes. Este estado de dor causa um desconforto muito acentuado, interferindo inclusivamente na ingestão normal da comida.
A alveolite dentária, por vezes, também referida de osteíte alveolar pós-operatória, corresponde a uma complicação que surge após a extração de um dente, em que se verifica um atraso na cicatrização, normalmente provocada pela desintegração parcial ou total do coágulo sanguíneo que se forma imediatamente após a exodontia ou pela ausência da sua formação.
Esta alveolite maxilar pode verificar-se tanto na arcada superior como na inferior e pode afetar qualquer dente presente na boca. A alveolite do siso é das alveolites mais prevalentes nas situações após a extração de dentes inclusos ou semi-inclusos, dada a prevalência de problemas associados aos dentes do siso durante a sua erupção, para além da eventual dificuldade de acesso cirúrgico aos mesmos, o que pode originar um maior trauma durante os procedimentos inerentes à extração
Conheça, aqui, os principais problemas do dente do siso e saiba quando extrair o dente.
Esta infeção obriga a cuidados de higiene pós-extração redobrados, e normalmente à toma de medicação específica, para além de uma eventual intervenção local por parte do médico dentista, com a finalidade de minimizar o problema e promover uma aceleração da cicatrização. Veja mais informação em como tratar a alveolite.
Existem dois tipos de alveolite, as quais passamos a descrever de seguida.
Alveolite seca
A alveolite seca instala-se quando não se verifica a formação do coágulo sanguíneo pós-extração, ficando o interior do alvéolo seco, ou seja, com exposição do respetivo osso e correspondentes terminações nervosas, conduzindo a uma situação de desconforto e dor muito acentuada.
A ocorrência da alveolite seca pode também estar relacionada com altos níveis de atividade fibrinolítica presente em infeções, levando à desintegração do coágulo, expondo as paredes ósseas internas, acabando com isso por atrasar a cicatrização.
Em relação ao tempo que dura uma alveolite seca, é de difícil previsão e obviamente depende de vários fatores, mas normalmente a sintomatologia tende a prolongar-se por cerca de uma a duas semanas, podendo contudo estenderem-se até um mês após a extração.
Alveolite purulenta
A alveolite purulenta ocorre quando o alvéolo é infetado verificando-se a secreção e produção de pus. Esta presença de pus proliferado dentro do alvéolo, ou seja, dentro do “orifício” ósseo onde o dente se encontrava implantado, provoca não só dor forte e normalmente difusa, como um cheiro ou odor fétido e acentuado (halitose).
A alveolite purulenta também é conhecida como alveolite supurativa ou alveolite húmida, e tal como a seca, os sintomas de dor forte tendem a aparecer só após 2 a 3 dias depois da extração e, por isso, algumas vezes é referida como alveolite tardia.
Causas da alveolite
Podem ser vários os fatores que determinam ou favorecem a instalação de uma alveolite, sendo os seguintes os mais frequentes:
- Higiene oral deficiente, e principalmente o descurar dos cuidados pós-operatórios;
- Dificuldade, duração e trauma inerentes à extração dentária;
- Tipo e quantidade de anestesia;
- Presença de infeções adjacentes;
- Tabagismo (ser fumador);
- Realização de bochechos durante as primeiras 24 horas pós-extração, que podem levar à remoção natural do coágulo sanguíneo;
- Manipulação do alvéolo com instrumento não esterilizado de forma adequada, ou seja, falha na assepsia;
- Certas doenças sistémicas, nomeadamente as que possam interferir nos processos de coagulação ou cicatrização inerentes (ex.: diabetes mellitus).
Saiba, aqui, o que é exodontia e conheça as possíveis complicações após a extração de um dente.
Sintomas da alveolite
Os sinais e sintomas associados à presença de uma alveolite tendem a iniciar 2 a 3 dias após a extração dentária, e normalmente incluem:
- Inicialmente, dor forte confinada ao local da extração;
- Com o passar do tempo, aumento gradual da dor e a sua difusão para estruturas adjacentes (maxilares, face, ouvido, pescoço, etc);
- Pequeno edema ou “inchaço” da face;
- Eventual aumento da temperatura corporal, normalmente não passando os 38 graus;
- Debilidade ou mal-estar geral;
- Mau hálito acentuado (halitose);
- Hipertrofia (aumento de volume) dos gânglios linfáticos da região;
- Presença de líquido esbranquiçado ou “matéria branca” (pus) no interior do alvéolo (no caso da alveolite purulenta);
- Gengiva circundante à zona da extração muito vermelha, edemaciada e muito sensível ao toque.
De realçar que a presença de um ou mais destes sintomas, não significa obrigatoriamente que estamos perante a existência de uma alveolite, devendo-se portanto recorrer ao médico dentista para que o mesmo possa avaliar a situação e efetuar o correto diagnóstico, para assim determinar o plano de tratamento mais adequado.
Alveolite tem cura?
A alveolite é passível de tratamento, embora a sua regressão seja algo difícil e demorada, devendo obedecer a um plano de tratamento criterioso e rigoroso.
Saiba, de seguida, como tratar alveolite.
Tratamento da alveolite
O tratamento da alveolite assenta fundamentalmente numa terapia medicamentosa (medicação ou remédios), nomeadamente com anti-inflamatórios e antibióticos, juntamente com manobras de manipulação anti-infeciosa do alvéolo por parte do médico dentista (desinfeção), associadas a um aumento dos cuidados de higiene oral por parte do paciente. O tratamento antibiótico poderá ter uma duração superior quando comparado ao tratamento de outras infeções orais.
Para além da limpeza do alvéolo para remoção de detritos e/ou restos alimentares, no tratamento da alveolite seca é extremamente pertinente realizarem-se também lavagens ou irrigações com antissépticos. No que concerne ao tratamento da alveolite purulenta deverá ser ainda considerada uma curetagem ou raspagem intra-alveolar para uma melhor remoção do pus e diminuição da infeção.
O paciente deverá complementar estes procedimentos com uma cuidada higiene oral, podendo também, como tratamento auxiliar, fazer gargarejos com água salina. Para além de ajudar a remover detritos, o sal tem propriedades antissépticas, promovendo uma diminuição da inflamação, melhorando assim o tempo de recuperação.
Para aliviar a dor de dente, o médico dentista pode prescrever medicamentos analgésicos ou anti inflamatórios que o doente deve tomar sempre de acordo com a prescrição médica.
Saiba, aqui, tudo sobre como aliviar a dor de dentes.
O paciente na presença dos sintomas anteriormente apresentados deve consultar o médico dentista. Deve tomar consciência da gravidade do problema e ter cuidado com algum tipo de tratamento caseiro, por vezes, referidos em alguns blogs na Internet, como a utilização da água oxigenada ou de outros produtos similares, dado que podem agravar ainda mais o problema e com isso atrasar também a cicatrização.
O doente nunca deve automedicar-se e deve tomar consciência que uma alveolite não tratada pode ter algumas complicações mais graves, como por exemplo a de uma infeção óssea, caso a mesma não seja diagnosticada e tratada de forma adequada e atempada.
Veja mais informação sobre problemas dentários e preço dos tratamentos na clínica dentária que recomendamos no seu concelho.
PARTILHE ESTE ARTIGO
A informação em Saúde é ainda mais valiosa quando é partilhada.
Achou este artigo útil? Ajude-nos a levar informação de saúde credível a mais pessoas. Porque cuidar da saúde também começa por estar bem informado.
Dr. Rui Amável,
Médico Dentista
“Our goal is for everyone to feel at home when they walk through our doors”
Sapien tempor sodales bibendum and convallis volutpat morbi veles fusce laoreet sapien an ipsum neque mauris vitae blandit inceptos and ligula luctus ipsum habitant
